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A menina que devora livros…

22 Fevereiro 2008

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Foto: Google

Em março do ano passado, foi lançado pela Editora Instrínseca no Brasil um livro chamado “A menina que roubava livros”, do australiano Markus Zusak.

O livro conta a história de Liesel Memminger, uma menina que foi adotada após seu irmão mais novo morrer. A narradora do livro é nada mais, nada menos do que a morte. Esta se encontra com Liesel várias vezes durante a história. E a observa o tempo todo durante o decorrer do livro.

A menina, que mora na Alemanha dominado pelo “Fuher”, passa a roubar livros para satisfazer sua ânsia em ler. “A guerra e os temores que ela traz, tornam o enredo o mais humano possível, trazendo para nós, uma visão diferente do que era não ser judeu mas ter princípios humanos em plena Alemanha dominada pelo nazismo na segunda guerra mundial”.¹

Ainda não tive a oportunidade de ler este livro. Mas confesso que estou curiosíssima para fazê-lo. Acredito que seja o tipo de livro pelo qual me encanto só de ver a capa. E daí em diante, parar de ler é um imenso sacrifício. Já li e ouvi críticas ruins quanto ao livro: de que é pesado, de que é sombrio demais, de que é péssimo, de que é de mau gosto. Mas como, dificilmente, levo em conta as críticas sem formar uma opinião própria, continuo com a mesma vontade de ler.

Mas o fato é: na praia, minha irmã resolveu que vai escrever um livro chamado “A menina que devora livros”. O personagem principal? Eu. Rimos muito. Até que eu perguntei porque a implicância com meu “vício”. Minha mãe me respondeu simplesmente “nenhuma implicância, só que tu lê a jato”. Com esta até eu achei engraçado. Na praia eu li tres livros, em menos de um mês. Me chamavam pro almoço. Já vou… Me chamavam pra ir na praia. Já vou… Me chamavam pra qualquer outra coisa. Já vou…. Fora revistas, jornais e tudo mais que cai nas minhas mãos. Eu devoro tudinho. Minha estante de livros, no meu quarto, já está ficando pequena pra tanta coisa. Aqui em casa, os outros ganham livros de presente e eu sou a primeira a ler.

Não posso dizer que ler, pra mim, seja um costume, um hábito. É sim um vício. Estou bem acima da média nacional de leitura (1,8 livros por ano) e da gaúcha (5,5 livros por ano). ² Minha média é de 1 livro por semana.

Não tenho a mínima idéia de quando foi o primeiro livro que li. Sei que tenho guardados alguns livros de quando eu era bem pequena, como “Uma fada nos meus olhos”, “Reizinho Mandão”, “Aristogatas”, etc. Me lembro de mim pequena, lendo (ou olhando as figurinhas) de uns livros que minha irmã tinha, que eram todos em um papelão grosso. E contavam diversas histórias. Uma delas de três gatinhos que comiam sempre de luvinhas. E suas luvinhas sujaram e eles nao podiam comer bolo da mamãe gata porque tinham lavado as luvinhas. Conforme se virava a página, em determinados lugares pegava luz e saía uma musiquinha. O livro ainda existe, mas não toca mais nada. Lembro de revistas e livrinhos que minha mãe trazia.

Pode ser que seja genético também. Minha vó materna, além de escrever poesias, gosta muito de ler. Talvez isto venha pelo DNA. Eu acredito que isto seja gosto e costume mesmo. Já vi pessoas dizendo que só lêem jornais e revistas porque trazem informações que serão úteis. Ou seja, na cabeça destas pessoas (que, com todo respeito, eu consideo minúscula…) só ler o que tem informação real e instantânea é o que importa. Acho que se fosse assim que a coisa funcionasse, os livros não existiriam e também não existiriam o número enorme de editoras e livrarias que existe. Mas tudo bem. Cada um com seu pensamento.

Comigo existe até uma história engraçada. Em 1995, minha família foi na Festa do Moranguinho, que acontece todo ano em Bom Princípio – RS. Lá, o Luís Fernando Veríssimo, iria realizar uma sessão de autógrafos. Então fomos em uma livraria comprar livros para autografar. Minha irmã comprou um chamado “O santinho”, de Luis Fernando Veríssimo. Nada mais natural. Um livro do autor, para ele próprio autografar. Pois eu, na época com 7 anos, comprei um outro: “Aristogatas”. E fui para a fila. Todos estavam com livros do autor ou blocos de papel para que ele desse um autógrafo. E eu, faceira, com meu livrinho nada a ver. Pois ele autografou. Devo ser a única pessoa no mundo que tem um livro dos “Aristogatas” autografado pelo Luis Fernando Veríssimo.

Ler faz viajar. Faz pensar. Faz aprender. Amo ler. E se alguém me perguntar se eu quero me livrar deste vício? Com certeza eu vou responder que não. Prefiro continuar devorando livros.

¹ Fonte: Wikipédia

² Fonte: Artigo “O futuro da leitura” – Edgar Lisboa

® Bruna Tissot

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